

Apesar de toda a informação disponível em livros, em revistas e na Internet, até hoje nossa sociedade não se livrou de mitos a respeito das várias deficiências. Por isso, para evitar noções erradas, o convívio com pessoas com deficiência deve ser sempre o mais transparente possível. O que isso quer dizer? Que é necessário discutir com clareza e objetividade questões específicas das deficiências no trabalho. Só assim poderemos separar conceitos corretos de outros que são equivocados e proporcionar a real inclusão organizacional.
Nos quadros a seguir, estão relacionados alguns mitos a respeito das várias deficiências. A Nestlé acredita que a convivência é uma das melhores formas de quebrar estes mitos.
O que se imagina sobre a deficiência
São pessoas mais revoltadas?
A realidade
Existem pessoas sem ou com deficiência que podem ser revoltadas por diferentes motivos.
A revolta é uma característica de personalidade que não tem relação direta com a deficiência.
O que se imagina sobre a deficiência
São pessoas mais produtivas?
A realidade
Em virtude da dificuldade de acesso ao mercado de trabalho, algumas pessoas com deficiência até podem buscar produtividade maior que a média. Isso não quer dizer que todas as pessoas com deficiência têm essa característica.
O que se imagina sobre a deficiência
São pessoas mais lentas.
A realidade
Na maioria dos casos, a velocidade está mais ligada à falta de adaptação do trabalhador com deficiência à função que está desempenhando do que, necessariamente, com a deficiência. Nos casos de paralisia cerebral, por exemplo, a velocidade pode ser compensada com alguns mecanismos, como a informática.
O que se imagina sobre a deficiência
São pessoas que se ausentam com mais freqüência do trabalho para resolver problemas de saúde.
A realidade
Uma condição importante para qualquer pessoa trabalhar é ter boa saúde.
A pessoa com deficiência não é doente. Uma doença pode causar a deficiência, mas a deficiência nunca será uma doença.
O que se imagina sobre a deficiência
São pessoas que correrão maiores riscos em caso de incêndio na empresa.
A realidade
Bons treinamentos em brigada de incêndio garantem a segurança para todos, sejam pessoas com deficiência ou não.
O que se imagina sobre a deficiência
São pessoas agressivas e nervosas.
A realidade
Outro mito a ser quebrado. As pessoas com deficiência levam a vida como qualquer outra. Tomam suas próprias decisões, lidam com seus problemas e assumem a responsabilidade por suas escolhas.
O que se imagina sobre a deficiência
São pessoas que não atendem à rapidez exigida pelo mercado de trabalho.
A realidade
Em alguns casos, como conseqüência de uma deficiência física ou motora, ba pessoa pode ter dificuldade para realizar algumas atividades com a rapidez esperada. Por outro lado, pode ter extrema habilidade e grau de velocidade para fazer outras coisas.
O que se imagina sobre a deficiência
Que são mudas.
A realidade
Não é adequado dizer que uma pessoa é surda-muda. As pessoas com deficiência auditiva apresentam condições físicas e fisiológicas para falar. No entanto, algumas não falam, talvez, porque não foram estimuladas ou porque acham que a língua de sinais garante maior agilidade na comunicação, ou ainda por opção.
O que se imagina sobre a deficiência
Que a língua de sinais é muito difícil de aprender.
A realidade
Basicamente, para se aprender a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) é necessária disponibilidade.
O mais importante é tentar se comunicar, entender o que a pessoa com deficiência auditiva tem para expressar.
Provavelmente, ela terá prazer em ensinar os sinais.
O que se imagina sobre a deficiência
São pessoas que podem trabalhar em ambiente com níveis intensos de ruídos.
A realidade
A pessoa com deficiência auditiva, ao contrário do que muitos pensam, escuta alguns sons. É muito rara a ocorrência de surdez total. A surdez também se apresenta em graus diferentes. Expor a pessoa com deficiência auditiva a um ambiente ruidoso, sem a devida proteção, poderá gerar agravamento importante na surdez. E aquelas com grau profundo de surdez, quando expostas a níveis de ruído intenso, podem apresentar riscos de desenvolvimento de quadros vestibulares ou labirintite.
O que se imagina sobre a deficiência
Em caso de incêndio, as pessoas com deficiência auditiva não têm como sair, pois não escutam o alarme.
A realidade
A maioria dos alarmes de incêndio apresenta níveis altíssimos de decibel, garantindo o alerta também às pessoas com deficiência auditiva. Além disso, a Nestlé conta com brigadistas treinados, que poderão auxiliá-las.
O que se imagina sobre a deficiência
São pessoas que têm percepção mais aguçada para identificar o outro pela voz.
A realidade
Não há uma maior sensibilidade, mas uma atenção mais focada ao estímulo. Por isso, as pessoas com deficiência visual precisam de algum tempo para identificar alguém pela voz.
O que se imagina sobre a deficiência
São pessoas que precisam de auxílio nas atividades da vida diária.
A realidade
A maioria das pessoas com deficiência visual passou por treinamentos em centros de reabilitação e instituições e tem plena independência para realizar tais atividades.
O importante é ambientá-la ao local de trabalho, indicando os caminhos que percorrerá na empresa e os possíveis obstáculos.
O que se imagina sobre a deficiência
Precisam de teclado em Braille para desenvolver suas atividades no computador.
A realidade
Não se faz necessário o uso da pista visual, pois é possível decorar a posição do teclado. Além disso, existem softwares no mercado que facilitam ainda mais o trabalho das pessoas com deficiência visual.
O que se imagina sobre a deficiência
São pessoas doentes.
A realidade
A deficiência mental pode ser conseqüência de uma doença, mas não é doença mental. A deficiência mental diz respeito exclusivamente ao desenvolvimento da inteligência, enquanto a doença mental traz alterações e transtornos psíquicos e emocionais. São raras as vezes em que a deficiência mental é acompanhada de transtornos mentais, embora possa ocorrer tal fato.
O que se imagina sobre a deficiência
São pessoas muito dependentes.
A realidade
A pessoa com deficiência mental deve fazer sozinha tudo o que puder.
Podemos ajudá-la quando realmente for necessário.
O que se imagina sobre a deficiência
São pessoas que necessitam de super proteção.
A realidade
Impedir pessoas com deficiência mental de experimentar a vida é negar possibilidades de conquista, de independência e de autonomia. Essa independência é possível e fundamental para a qualidade de vida.
O que se imagina sobre a deficiência
São como crianças.
A realidade
A deficiência mental não ocasiona atraso no desenvolvimento emocional e global. A pessoa com deficiência mental “amadurece” dependendo de como é tratada. Enquanto for criança, devemos tratá-la como criança. Quando for adolescente ou adulto, devemos tratá-la como tal.
Lembre-se sempre
Que as pessoas com deficiência estão habituadas com sua condição e já desenvolveram habilidades para lidar com a maioria das situações cotidianas. Elas encontram formas de se movimentar, de realizar atividades e de obter prazer com a vida.
Isto vale para todas as deficiências. Não tenha receio de falar sobre a deficiência. A maioria das pessoas com deficiência está acostumada com essa curiosidade.